Aos poucos, eu estou conseguindo me mover.

E isso, por si só, já é muita coisa.


Eu sou uma pessoa resiliente. Sempre fui. Não porque a vida foi leve comigo, mas justamente porque ela foi pesada demais em muitos momentos. Quem me conhece de verdade sabe o quanto eu já sofri na infância, sabe o quanto a adolescência também foi marcada por dores profundas. Foram fases difíceis… difíceis de um jeito que molda a gente por dentro.


Ao mesmo tempo, eu reconheço que também tenho muitas bênçãos. Sou, de certa forma, uma pessoa sortuda. Existe algo em mim que atrai carinho, presença, afeto. As pessoas sempre dizem que eu tenho uma luz, um carisma, uma energia bonita. Dizem que sou magnética.


E eu fico me perguntando… que luz é essa?


Porque quando o caos me atravessa, eu não consigo enxergar nada disso. Não vejo brilho, não vejo beleza, não vejo força. Às vezes eu penso que talvez as pessoas só falem coisas bonitas pra ver se eu me levanto. Mas mesmo quando estou bem, o carinho aparece de formas inesperadas. Pessoas que me acolhem, que me querem bem, amigos que me oferecem afeto genuíno. Talvez eu esteja apenas colhendo o amor que já plantei ao longo da vida.


Mas, no fundo… eu queria o carinho de uma pessoa específica.

A pessoa que eu amei.

E que, se eu for sincera… ainda amo.


Ultimamente, eu só penso no tempo. Eu quero que ele passe. Quero que avance rápido, como se isso pudesse aliviar alguma coisa dentro de mim. E é estranho, porque também dói saber que, quando esse tempo passar, nada será como antes. Nunca mais.


Eu não vejo sinais de volta.

Imagino ele vivendo outras histórias, conhecendo outras pessoas, talvez se apaixonando novamente. E eu… talvez também conheça alguém legal. Ou talvez não. Talvez eu descubra que gosto mesmo é da minha própria companhia.


Eu não sou do tipo que se fecha para o mundo. Nunca fui. Mas o amanhã é incerto, e eu ainda estou aprendendo a caminhar dentro desse desconhecido.


Mesmo assim, eu agradeço.

Consigo visualizar coisas boas.

Consigo reconhecer pequenas vitórias.


Eu consegui levantar da cama.

Eu estou respirando.

Eu estou seguindo.


E neste fim de semana, vou para um retiro da igreja.

E, pela primeira vez em um tempo, eu estou animada.


Talvez seja assim que a vida se reconstrói:

devagar,

em silêncio,

um passo de cada vez.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vivi novela mexicana (e sim, eu perdoei os personagens) minha ex melhor amiga e o Pai da minha Filha...

O dia em que Deus me pediu algo impossível e eu chorei no chão da igreja

A dor silenciosa de começar de novo