A dor silenciosa de começar de novo

 Hoje eu entendi que não existe mais “nós”. Existe só eu… e o silêncio que ficou depois de tudo...

Eu sempre achei que término era uma decisão. Mas não é. As vezes é um esgotamento lento, uma despedida que acontece por dentro muito antes de ser dita em voz alta. Eu quis terminar tantas vezes… tantas. Mas eu ficava. Por empatia. Por lembrar da dor do outro. Por saber o que é se sentir abandonado, perdido, insuficiente. Eu ficava porque sabia o quanto doía.

Só que ninguém pergunta quanto dói em quem fica sem ter psicológico pra ficar.

Eu não tinha estrutura emocional. Eu sabia disso. Eu sentia isso no corpo, no cansaço, nas crises. E mesmo assim… eu tentei. Procurei ajuda. Fui atrás de psicóloga. Apos meu plano nao aceitar mais aas consultas com ela, paguei consultas á parte. Me expus. Revirei feridas. Fiz o que eu podia pra sustentar algo que eu acreditava que ainda tinha salvação.

E agora… ironicamente… ele que está com o psicológico abalado. Ele que precisa cuidar de si. Ele que não quer mais.

A vida tem dessas... A gente luta, se dobra, se refaz… e quando finalmente entende o próprio limite, já é tarde. O outro já desistiu.

E eu fico aqui pensando no quanto tudo foi intenso desde o começo. Eu tinha saído de um casamento há 4 meses. Q-u-a-t-r-o meses tentando entender quem eu era de novo. Quatro meses reaprendendo a respirar fora de uma vida inteira que já não existia mais. E mesmo assim… eu me permiti amar de novo.

Com medo. Com uma filha. Com marcas. Com tudo ainda aberto dentro de mim.

Eu me permiti acreditar que era possível construir algo bonito mesmo estando quebrada.

Mas amar quando ainda se está se reconstruindo é como tentar levantar uma casa em terreno que ainda está tremendo. Uma hora, tudo cede. E cedeu.

Muita coisa aconteceu nesse tempo. Coisas bonitas. Coisas dolorosas. Coisas que me transformaram. Coisas que me fizeram perder a razão, perder o controle, perder a versão de mim que eu achava que conhecia. Eu me vi implorando, me culpando, tentando consertar o que não dependia só de mim.

E agora acabou.

Não tem mais tentativa. Não tem mais conversa. Não tem mais esperança escondida nas entrelinhas. Não tem mais. 

Só tem o depois… sozinha.

Recomeçar não é bonito como as pessoas falam. Não é inspirador. Não é libertador no primeiro momento. Recomeçar é vazio. É silêncio. É olhar pra própria vida desmontada e entender que ninguém vai vir te ajudar a reconstruir. Ninguém.

Mas também é verdade que recomeçar é encarar a realidade sem fugir. Porque não tem pra aonde, a não ser encarar a realidade. Sozinha.

É parar de insistir onde já não existe espaço. É aceitar que amar não é suficiente quando não existe estrutura emocional pra sustentar. É entender que empatia não pode ser autoabandono de si mesma como tive muitas vezes.. Que cuidar do outro não pode significar se perder.

Hoje eu estou triste. Muito. Talvez mais do que eu consiga escrever aqui.
Mas hoje também é o primeiro dia em que eu paro de lutar por algo que já acabou.

Hoje começa o meu recomeço.

E mesmo que doa… mesmo que demore… mesmo que eu ainda chore por muito tempo…

Eu sei que um dia essa dor vai virar só memória.
E eu vou olhar pra trás e ver que sobrevivi.
De novo.

Comentários

  1. Nossa Lua, que triste... Algo grandioso vai vir pra você. Estava sentindo sua falta aqui... gosto muito das suas postagens. Você é linda por dentro e por fora ( muito gata por sinal). Acompanho você no Threads e torcendo por você.

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    1. Ah, obrigada! Fico feliz de saber que acompanha meu pequeno diário e minhas postagens. Andei sumida sim, mas é bom sentir essa energia positiva de volta. E obrigada pelo carinho, de coração! E pelo elogio aos poucos vou conseguindo me enxergar.

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