Quando eu decidi parar de ser “carente”

Tem dias que eu sinto que carrego um coração grande demais num mundo que aprendeu a medir amor por retorno. E dói. Dói porque eu sempre fui aquela que cuida, que lembra, que se preocupa, que pergunta se tá tudo bem, que quer unir família, que acredita no afeto verdadeiro.

Mas um dia eu percebi que ser assim tão inteira também me deixa exposta. Porque nem todo mundo oferece o que recebe. Nem todo mundo tem essa sensibilidade de pensar no outro antes de pensar em si.

E tudo bem. Eu estou aprendendo a entender isso sem me culpar por ser quem eu sou.

Eu cresci sendo responsabilidade antes de ser filha

Desde cedo eu aprendi a ser adulta. Enquanto muita gente sonhava em sair pelo mundo e viver só por si, eu sonhava em colocar minha família num lugar melhor, dar tranquilidade pros meus pais, criar minha filha com segurança.

Eu sou essa mulher a que prioriza casa, afeto, cuidado, estabilidade, família.

E por isso, quando eu vejo alguém que eu gosto passando por dor, eu tento abraçar o mundo junto.

Só que o que ninguém te prepara é para quando esse amor bate em paredes. Quando você percebe que nem sempre o que você doa volta. Quando você entende que cuidar dos outros não garante que cuidem de você.

Eu não sou fraca eu sinto. E sentir é coragem.

Eu passei meu aniversário querendo um parabéns que não veio. Querendo um abraço que não aconteceu. E sim eu li até e-mail de loja, porque naquele momento qualquer gesto de lembrança aquecia meu coração.

Tem gente que nunca vai entender isso.

Tem gente que vai olhar e dizer “nossa, que carência”.

Mas eu descobri que carência, na verdade, é um coração com fome de amor depois de anos nutrindo todo mundo.


E eu não tenho vergonha disso.

Ser carente me humaniza.Embora doa muito.

Um dia eu ouvi uma coisa que me marcou

Minha psicóloga disse: “ Se você é demitida da sua empresa, ela acaba? Respondi que não. A mesma me responde “Então porque você acha que se afastar sua família acaba?”

E isso me fez entender:

Minha família agora é a Ágatha. Meu universo começa nela. Minha missão é com ela. O amor que eu sempre busquei no mundo, eu aprendi que posso construir dentro da minha casa com minha filha, com meus valores, com Deus.

Eu sei que eu tenho um propósito bonito.

Eu sei que Deus me ama.

E sei que ser sensível num mundo duro é dom, não defeito.

Eu não deixei de amar só aprendi a escolher onde coloco meu amor

Eu não vou parar de ser boa, nem de me importar. Só não vou mais implorar por presença, por atenção, por reconhecimento.

Eu sigo sendo coração mas agora com limites.

Quem quiser caminhar comigo, vai aprender que amor não é cobrança, mas também não é ausência.

Eu mereço ser celebrada. Eu mereço ser vista. Eu mereço o mesmo carinho que eu ofereço. E a partir de agora, eu não aceito menos do que isso.

No fim…

Ando aprendendo a ser cheia de mim.

E cheia de Deus.

E cheia da minha filha.

E isso, pra mim, é o começo do meu milagre.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vivi novela mexicana (e sim, eu perdoei os personagens) minha ex melhor amiga e o Pai da minha Filha...

O dia em que Deus me pediu algo impossível e eu chorei no chão da igreja

A dor silenciosa de começar de novo