Entre o que sinto e o que entendo 24/10 faltando 4 dias para completar meu ciclo de 29 anos.
Essa semana me fez pensar muito sobre os papéis que a gente assume dentro da família.
Por mais que eu já tenha amadurecido, construído minha vida e aprendido a me virar, ainda me vejo, às vezes, no meio de situações que me fazem questionar o equilíbrio das coisas.
Tudo começou com uma conversa na cozinha. Ouvi meu pai dizendo pra minha irmã que não teria como pagar a academia dela esse mês. E ela, na maior naturalidade, respondeu: “tá, mas eu já paguei o mês passado”.
Na hora, me veio um misto de indignação e cansaço. Entrei no papo e falei: “Laura, tu não trabalha? Por que você mesma não paga sua academia?”.
Pode ter soado duro eu sei. Mas foi o que saiu de mim no momento. Porque, sinceramente, eu tenho dividido as contas com o meu pai, segurando o que dá, e ver ele tendo que lidar com gastos que já poderiam ser responsabilidade dela me doeu.
No fim, ela ficou super ofendida, me bloqueou nas redes e ainda disse que eu não precisava pedir desculpas. Mas eu só quis que ela tivesse um pouco de noção. Às vezes, a verdade dói, principalmente quando vem de alguém da família.
Como se não bastasse, dias depois tive outro episódio dessa vez com a minha mãe.
Ela tentou fazer uma compra de mais de 500 reais em roupas, bem no meio do mês, e quando deu errado, tudo virou uma tempestade.
O mais difícil é que o cartão que ela tentou usar era meu um cartão de limite alto que o banco me ofereceu e que eu acabei “dando” pra ela usar, já que ela não tinha crédito.
Eu só tinha bloqueado temporariamente, porque antes do dia 16 tudo que fosse comprado cairia ainda na fatura desse mês. E eu já tinha notado que ela estava fazendo várias pequenas compras pelo iCloud, sem nem perceber que estavam sendo cobradas.
Então, pra evitar confusão, bloqueei o cartão até a virada da fatura.
Mas parece que ela não entendeu.
E, a partir disso, a situação virou um caos.
De repente, ela começou a me xingar, a gritar coisas horríveis, dizendo que não era mais minha mãe, que só reconhecia meus irmãos… e tudo isso, olhando nos meus olhos.
Foi um dos momentos dolorosos da minha vida, não digo que foi o mais, porque é normal vindo dela esses momentos dolorosos.
E eu, já cansada de tanta injustiça, respondi. Não gritei, mas falei o que precisava ser dito.
Talvez tenha sido o limite de quem carrega muito tempo o peso de ser a responsável, a equilibrada, a que segura tudo.
Minha psicóloga me disse ontem algo que ficou ecoando na minha cabeça:
“Se eles te tratam como sócia, trate-os 50/50 também.”
Foi um baque quando ela disse isso. Porque é realmente verdade.
Por muito tempo eu tentei ser a que resolve, a que entende, a que cede.
Mas agora eu entendo que, se tudo dentro de casa é dividido como sociedade, então o respeito e os limites também precisam ser.
Esses dias têm me ensinado que amor nenhum sobrevive sem respeito.
E que, às vezes, o maior ato de amor por si mesma é parar de aceitar o papel que os outros te deram e começar a viver o que você realmente merece.
E é isso. Eu não sou mais filha pequena. Sou mulher, mãe, e aprendi a me posicionar mesmo quando isso me custa carinho, silêncio ou distância.
Esses dias têm me ensinado que amor nenhum sobrevive sem respeito.
E que, ás vezes, o maior ato de amor por si mesma é parar de aceitar o papel que os outros te deram e começar a viver o que você realmente merece.
Comentários
Postar um comentário